A medida do tempo? – “Minuto”. A medida da distância? – “Kilômetro”. A medida do meu amor pelo Internacional? – “Operação Inválida e impossível”. Tudo o que posso dizer é que, minuto a minuto, há quilômetros de distância do Beira-Rio, me torno cada vez mais apaixonado pelo Colorado.
Quantos de nós já nadaram o mar para ver o que tinha do outro lado? Uns vinte e poucos anos antes de mil e quinhentos, Cristóvão Colombo e sua embarcação inovaram esse conceito no mundo. Eles, numa visão utópica, numa divina e distante quimera, fecharam os olhos e, sem medo, atravessaram o pacífico. Alguns foram empurrados pelas ondas da vida e passaram pelo Cabo das Tormentas, que logo se tornou a esperança – das boas. Após este fato, começaram incessantes tentativas de todos os lugares em objetivo de cruzar o mar. Seria bravura? Destreza? Coragem? Isso foi só na primeira vez?
- “A primeira vez a gente nunca esquece”. Provavelmente você já deve ter ouvido esta frase! Sim, ela resume nesse momento, com enorme precisão e delicadeza, seu estado de espírito e alma, seu ânimo e empolgação! Ela é teu coro eterno que tu tens de esquecer de uma vez por todas. Tire-a da mente. Queime esta idéia, jogue este conceito na lixeira, pense no futuro, não no passado.
O primeiro beijo: Eu sinceramente nunca esqueci. O primeiro “Eu te amo” recebido em voz sincera: Eu nunca me esqueci. O primeiro carro: Eu nunca me esqueci. A primeira transa: Eu nunca me esqueci. E o primeiro emprego também não. O tempo avança, envelhecemos. Nossas perspectivas mudam, crescem. Cada ato que acabei de descrever foi evoluindo com o tempo. Sim, o tempo tem esse poder – o de evoluir a nossa vida. E ele, fazendo isto, decreta que jamais você sentirá algo parecido, jamais terá outro primeiro beijo, ou outro primeiro carro. O tempo tem o poder de tornar as coisas únicas. Tempos que jamais voltarão, esqueçamos-nos! Lutemos por uma nova era, vivamos novos sentimentos, novas vidas. Vamos reciclar a nossa existência.
2006, colorados, faz pouco mais de 3 anos que terminou. Mas vocês parecem querer voltar no tempo, regredir a vida a cada instante, regressar o corpo. Vocês vivem a saudade do passado, vocês são a nostalgia imperial. Sim, o tempo tornou vocês nostálgicos, e viver de nostalgia é como dirigir um carro olhando pelo retrovisor e mesmo assim querer chegar em algum lugar na mesma velocidade dos demais (frase adaptada).
Precisamos de renovação, precisamos de um título que nos faça esquecer 2006 – que nunca voltará.
Em 2006, o grande cronista Emanuel Neves recitou: “Passamos 27 anos olhando apenas para trás, agora é hora de olharmos para frente. É hora de ir aonde ninguém foi!”. E foi neste ritmo que marchamos à Assunção, Quito, novamente Assunção, São Paulo, até parar no estágio máximo: Yokohama. Foi mirando o horizonte que conquistamos ele. Foi levantando a cabeça que conseguimos olhar para cima. Foi, de degrau em degrau, que simples e inexplicavelmente, fomos. E fomos, com a força dos deuses e de nossos músculos. E fomos, com a garra e a raça dos lutadores. E fomos, com a experiência dos sábios e a sabedoria dos experientes. E fomos, com a técnica doz habilidosos, e com a habilidade dos técnicos. E lá chegamos, trabalhando, lutando, se dedicando. Não se curve ao tempo, viva manipulando-o. Esqueçam 2006, esqueçam Fernandão e o time campeão do planeta. Se não esquecerem, não acordarão. E se não acordarem, podemos viver novamente os anos 80 e 90.
Ah, tempo. Como manipular-te?
Reciclar o pensamento não depende do tempo. Depende de nós, e nós dependemos do tempo? Só se quisermos.
Tempo, tempo, não exista na nossa cabeça.
Ó, ceus! Porque tanta dependendência?
Porque o tempo nunca para de existir? Porque cada pessoa tem seu jeito de percebê-lo passar?
Torna tudo tão velho, e ao mesmo tempo novo também. Traz a saudade mórbida e a esperança também!
Por favor, me responda:
Qual a medida do tempo?
Por Lucas Pitta Klein


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