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Tudo começa pela Base
Faz duas semanas que assisti a uma palestra sobre as Categorias de Base do Inter e iria escrever um post sobre ela. Porém, na semana passada estive em uma nova palestra do Ex-presidente Fernando Miranda e após ouví-lo, não tem como falar de uma coisa sem falar da outra. Ambas as palestras foram organizadas pelo INTERnet/BV no intuito de qualificar o nosso grupo e nossos Conselheiros.


Fernando Miranda participou da Vice-Presidência de futebol nos anos 90 e no final dos anos 90, foi eleito presidente no Conselho, após a saída do Presidente Jarbas Lima. Ao chegar a diretoria de Futebol, FM viu que o nosso Celeiro de Ases dependia em muito dos olhos de nosso olheiros. Não havia um processo, com softwares e ferramentas de análise de desempenho dos jogadores. Então Miranda resolveu informatizar tudo, criar um Banco de Dados e utilizar softwares próprios para a análise do desempenho dos jogadores. Foi o início do Futcenter que temos hoje.
O Futcenter é o cérebro das nossas categorias de base. Tudo fica armazenado lá. Jogos, dados de jogadores, jogadores prospectados,etc. É através da análise dos dados guardados lá que conhecemos o desempenho dos nossos jogadores. Não dependemos mais apenas dos olhos dos olheiros. Agora temos gráficos que indicam as deficiências e qualidades de nossos jogadores e assim, podemos aperfeiçoá-los através de treinos específicos. Por exemplo, Luiz Adriano não sabia cabecear direito. Esta deficiência foi trabalhada e na semifinal do Mundial Interclubes FIFA ele nos salvou com aquela cabeçada.

O nosso Celeiro de Ases hoje é uma fábrica. Vejam os números: 24.000 testes por ano, 1.500 alunos nas escolhinhas, 260 atletas, 70 jogadores alojados no Beira-Rio, 59 funcionários, 9 categorias de base. No nosso elenco principal agora, dos 35 jogadores, 11 são formados na base. Temos uma média de 5 jogadores que sobem para os profissionais por ano. Com tantos jogadores na base, é normal que alguns não tenham chance no Inter e acabam sendo vendidos e estouram em outro clube depois.

Jorge Andrade, gerente das categorias de base, e Ademir Calovi, coordenador administrativo das Categorias de Base, foram os palestrantes e nos contaram dos procedimentos por lá. O Inter tem um departamento Interdisciplinar, com profissionais de diferentes áreas que se interligam, conversam numa reunião semanal e trocam informações dos trabalhos. Isto é essencial para se levantar os problemas, pois alguns problemas só aparecem para algum profissional e os outros desconhecem. Caso não houvesse esta conectividade, alguns problemas não seriam percebidos por todos. Além disso, em cada torneio que participamos, os adversários são mapeados, para suprir nossas carências nas diferentes categorias que temos. Assim, vamos adquirindo novos jogadores e qualificando melhor o nosso grupo.
Mas o mais fundamental disso tudo, não é a tecnologia, mas as pessoas envolvidas. A dedicação e comprometimento delas. Quando percebem algo de errado, os funcionários, desde o porteiro até o massagista, procuram os diretores e relatam o ocorrido. Assim temos sempre controle destes garotos, que facilmente podem ficar deslumbrados e desvirtuarem suas carreiras.
Não é a toa que o Colorado é o líder do ranking das categorias de base no Brasil. Desde os 11 anos a garotada começa a participar das competições. Esta experiência vai calejando os jogadores e preparando eles para os maiores desafios. Assim podemos ter um Pato estreiando contra o Palmeiras, fazendo gols e nem sentindo a estreia. E  jogadores de ótima qualidade, frios e concentrados chamam a atenção de outros clubes. As propostas aparecem e vamos vendendo nossas promessas, para nossa tristeza e alegria.
Se todos fossem vendidos no final da temporada, enchendo os cofres do Club de Euros, não teria problema. Porém, algumas vezes vendendo no meio, praticamente abrimos mão da conquista de títulos. Se soubermos administrar isso melhor, podemos faturar títulos e euros. Em 2009 o Inter foi o clube que mais arrecadou dinheiro em transações de jogadores, porém fomos apenas vice-campeões no campo.
Apesar de Fernando Miranda ter quase rebaixado o Inter em campo, através da política de gastar apenas o que podia, sem contratações absurdas, ele foi fundamental para atingirmos o patamar que estamos agora. Sem a organização e aprimoramento das categorias de base, não estaríamos revelando tantos talentos e gerando tanta receita. E a receita que faltou para o Miranda, agora está disponível aos outros presidentes montarem times melhores, contratando ou subindo alguns jogadores da base. Foi o trabalho na base bem feito, que nos fez alcançar o topo.


Por Caio de Santi- Conselheiro


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