Quatro anos estão se passando. Para os colorados foi um período de grandes emoções e algumas (poucas) decepções. É fácil encontrar muitas circunstâncias parecidas entre as temporadas 2005/6 e 2009/10, Assim como o oposto também se faz presente, existem grandes diferenças. Algumas são para melhor, mas outras nem tanto. O fato é que o Clube está diferente na comparação entre 2006 e 2010.
Em 2005, o Inter precisou ser roubado duas vezes para que não ficasse com o título brasileiro – uma fora de campo e outra dentro de campo. Isso porque aquele Inter era muito competitivo, com bom toque de bola, veloz em sua saída de bola, mas acima de tudo era um time aguerrido, valente e que brigava até o último minuto pelo resultado. A equipe era a cara do Muricy: jogava fechado, mas tinha opções para agredir o adversário. Observando bem, não era um time tão técnico em valores individuais, a grande estrela do grupo era o próprio grupo.
No final de ano, o Inter manteve o elenco e procurou alguns reforços pontuais. Abel Braga voltou ao Clube, mas foi a única mudança na comissão técnica. Junto com ele chegaram Ceará, Fabinho, Fabiano Eller, Wellington Monteiro, o mito Adriano Gabiru, dentre outros. Uma longa e acalorada discussão entre os colorados é que Abel teria sido campeão da Libertadores com o time do Muricy. Eu discordo, penso que o Inter foi campeão com o grupo montado pelo Muricy, mas com time jogando pelo Abel.
Havia ainda o ingrediente principal para a conquista: a torcida. Naquele ano tivemos o casamento ideal entre o time e seu torcedor. Alguns teimosos dizem que torcida não ganha jogo, mas ela é responsável por criar o ambiente para a equipe jogar. E naquele ano o Gigante foi um palco de grandes espetáculos proporcionado pela torcida, que em todos os momentos esteve ao lado do time. Fomos tão bem naquele ano, que até no extra campo a torcida ajudou – os adversários que o digam.
Em 2009, vivemos o esperado ano do Centenário. Fora de campo o Inter viveu um grande ano – 100 mil sócios, Marcha do Centenário, saúde financeira, festa com artistas renomados. Dentro de campo o Inter teve bons momentos, mas acabou não confirmando nas decisões e a vaga à Libertadores veio como um bom prêmio de consolação. Aqui houve uma contradição que só é possível nos gramados: tecnicamente e em valores individuais o time era melhor que o de 2006, mas não era tão competitivo. Penso que ninguém duvida da capacidade de Nilmar, D’Alessandro, Alex, Guinãzü, Magrão, Sandro, Kléber e Andrezinho. Não estou questionando a qualidade dos jogadores de 2006, jamais faria isso, mas estou falando que esse time de 2009 não tinha a entrega, a raça, a disposição, a valentia e o espírito do elenco campeão mundial. São esses quesitos que fazem o time chegar, ir à frente, levantar taças.
A exemplo de 2006 somos os atuais, mas merecidos, vice campeões brasileiros. E isso era o máximo que poderíamos chegar, porque entregamos esse campeonato de bandeja ao Flamengo, deixando de ganhar jogos fáceis inclusive dentro de casa. Por outro lado, mantivemos o elenco e mudamos o treinador (dessa vez, junto com a comissão técnica). Como em 2006, precisamos de reforços pontuais – um goleiro, primeiro volante e dois atacantes titulares. Nota: eu confio no trabalho do Fossati, acho que o Inter foi muito bem na sua contratação. Torçamos para que ele consiga fazer o Inter de 2010 vestir a garra da equipe de 2006. Esses ingredientes nos habilitariam a cumprir nosso papel, que é pelear para novamente pintarmos a América de vermelho em 2010.
Saudações Coloradas
Luis Armando Peretti
